terça-feira, 12 de junho de 2012


GREVE NACIONAL NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

No dia 17 de maio foi deflagrado movimento nacional de greve da categoria dos professores das Universidades Federais do Brasil. Atualmente são 51 Universidades em greve, de um total de 65 universidades federais. 

Histórico
A luta pelos direitos dos trabalhadores é histórica e foi construída através da mobilização. Até hoje, nada foi nos oferecido “de bandeja”. A ideia que se tem das universidades federais como centros de excelência do saber foi construída através de um passado de lutas, em que professores, servidores e estudantes se mobilizaram para garantir melhores condições de trabalho, qualidade de ensino, salários dignos, condições de infra-estrutura, etc. Através destas conquistas históricas foi possível ofertar condições mínimas de trabalho para proporcionar formação mais aprimorada aos estudantes.

Reivindicações
Estamos em greve por vários motivos:
a) o programa “Reuni” aumentou a carga de trabalho, fragilizando as condições de trabalho, com aumento da incidência de doenças nos docentes e técnicos, pois há contratação insuficiente de professores e funcionários para dar conta da demanda crescente;
b) Os professores lutam por um novo quadro de carreira - mesa de negociações foi estabelecida em setembro de 2010, mas infelizmente, a última proposta apresentada pelo governo, em maio de 2012, permanece a mesma apresentada em 2010;
c)Reajuste salarial – é reivindicado 20,08% de reajuste, correspondente a inflação DIEESE desde 2010.

Olimpíadas e Copa do Mundo x Investimentos em Educação
A expectativa é que o governo federal gaste R$ 23,8 bilhões com a COPA 2014 e mais 62,4 bilhões com a Olimpíada 2016. O gasto de 86,2 bilhões pode ser considerado um absurdo se comparado que o brasileiro deverá gastar R$ 49,55 bilhõescom toda a educação básica e superior no país em 2012.
Não admira, portanto, que o país é o 6º PIB mais alto do mundo, mas apenas o 88º colocado em investimentos em educação. O dinheiro investido pelos interesses políticos que trouxeram a COPA 2014 e a Olimpíada 2016 ao Brasil deveria ter parcela considerável destinada à saúde, segurança pública e Educação, e sabemos, cada um de nós, que não veremos a cor destes "reais" porque nem mesmo recebemos do governo aquilo que seria o mínimo dignificante para exercermos a tarefa de educar nossos jovens.

Poderíamos aprender lições como aquelas que nos foram ensinadas há poucos anos pela Coréia do Sul. Uma saída eficiente para a escassez de dinheiro na época em que a Coréia era pobre foi colocá-lo na educação de jovens. Funcionou lá e poderia dar certo por aqui. A Coréia também entendeu cedo que o professor é a alma do processo de aprendizado. Por isso, o governo fez desse ofício um dos mais bem pagos e respeitados do país.

O movimento que ora se faz é pela valorização da educação pública, que vem sendo esquecida governo após governo. Nos palanques eleitorais, ano a ano, as promessas se acumulam, sem que as mesmas sejam cumpridas. Queremos resultados. Queremos transformação. Queremos mudança. Exigimos respeito.

SINDUTF-PR Núcleo Sindical Sudoeste

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