GREVE NACIONAL NAS
UNIVERSIDADES FEDERAIS
No dia 17 de maio foi deflagrado
movimento nacional de greve da categoria dos professores das Universidades
Federais do Brasil. Atualmente são 51 Universidades em greve, de um total de 65
universidades federais.
Histórico
A luta pelos direitos dos
trabalhadores é histórica e foi construída através da mobilização. Até hoje, nada
foi nos oferecido “de bandeja”. A ideia que se tem das universidades federais
como centros de excelência do saber foi construída através de um passado de
lutas, em que professores, servidores e estudantes se mobilizaram para garantir
melhores condições de trabalho, qualidade de ensino, salários dignos, condições
de infra-estrutura, etc. Através destas conquistas históricas foi possível
ofertar condições mínimas de trabalho para proporcionar formação mais
aprimorada aos estudantes.
Reivindicações
Estamos em greve por vários motivos:
a) o programa “Reuni”
aumentou a carga de trabalho, fragilizando as condições de trabalho, com
aumento da incidência de doenças nos docentes e técnicos, pois há contratação
insuficiente de professores e funcionários para dar conta da demanda crescente;
b) Os professores lutam por
um novo quadro de carreira - mesa de negociações foi estabelecida em setembro
de 2010, mas infelizmente, a última proposta apresentada pelo governo, em maio
de 2012, permanece a mesma apresentada em 2010;
c)Reajuste salarial – é
reivindicado 20,08% de reajuste, correspondente a inflação DIEESE desde 2010.
Olimpíadas e Copa do Mundo x Investimentos em Educação
A expectativa é que o governo
federal gaste R$ 23,8 bilhões com a COPA 2014 e mais 62,4 bilhões com a Olimpíada
2016. O gasto de 86,2 bilhões pode ser considerado um absurdo se comparado que
o brasileiro deverá gastar R$ 49,55 bilhõescom toda a educação básica e
superior no país em 2012.
Não admira, portanto, que o país
é o 6º PIB mais alto do mundo, mas apenas o 88º colocado em investimentos em
educação. O dinheiro investido pelos
interesses políticos que trouxeram a COPA 2014 e a Olimpíada 2016 ao Brasil
deveria ter parcela considerável destinada à saúde, segurança pública e Educação,
e sabemos, cada um de nós, que não veremos a cor destes "reais"
porque nem mesmo recebemos do governo aquilo que seria o mínimo dignificante
para exercermos a tarefa de educar nossos jovens.
Poderíamos aprender lições como aquelas que nos foram ensinadas há poucos
anos pela Coréia do Sul. Uma saída eficiente para a escassez de dinheiro na
época em que a Coréia era pobre foi colocá-lo na educação de jovens. Funcionou
lá e poderia dar certo por aqui. A Coréia também entendeu cedo que o professor
é a alma do processo de aprendizado. Por isso, o governo fez desse ofício um
dos mais bem pagos e respeitados do país.
O movimento que ora se faz é pela valorização da educação pública, que
vem sendo esquecida governo após governo. Nos palanques eleitorais, ano a ano,
as promessas se acumulam, sem que as mesmas sejam cumpridas. Queremos
resultados. Queremos transformação. Queremos mudança. Exigimos respeito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário