segunda-feira, 9 de julho de 2012


Professores e Professoras;

Na última sexta-feira (06), o Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão (MPOG) 
orientou os órgãos do Executivo a cortarem o ponto (salário) dos servidores em greve.
Segundo o Comando Nacional de Greve (CNG), o comunicado do MPOG é uma orientação 
aos órgãos e não necessariamente uma exigência para punir o forte movimento grevista, que 
se desenvolve nesse momento pelo conjunto do funcionalismo público federal, sendo dever 
de cada Comando Local de Greve (CLG) cobrar que a sua universidade não acate essa decisão, 
e que seja respeitado o direito de greve.
A assessoria jurídica do ANDES-SN recomenda que os CLG´s façam o acompanhamento da 
situação junto às administrações superiores e, caso seja adotada alguma medida concreta, 
haja o informe ao CNG para encaminhamento jurídico. Conforme o ANDES-SN, os gestores
 não têm obrigação legal de atender ao que foi proposto no documento do MPOG.
O CNG entende que tal medida tem como único objetivo pressionar o movimento de greve 
diz que enviará novas orientações aos CLG´s, após avaliação política feita pelo CNG.
Nesta terça-feira (10) deve haver uma reunião da ANDIFES com reitores de todas as 
instituições federais de ensino superior brasileiras para avaliar a situação. A SINDUTF-PR  e 
membros do CLG/Curitiba se reunirão com a diretoria da UTFPR na próxima sexta-feira (13), 
às 14h30, para obter informes sobre a questão do corte dos salários.
O CNG recomenda que nos atos públicos, organizados em todo o Paraná durante esta 
semana, o corte de ponto deve ser denunciado.


Cordiais saudações universitárias,

Comando Local de Greve do câmpus Curitiba

Carta aberta ao secretário Sérgio Mendonça


Senhor secretário das relações de trabalho no serviço público. Prezado senhor! O título dessa missiva bem que poderia ser “carta aberta a um covarde”. Porque, digníssimo secretário, o senhor portou-se como um covarde a serviço de um Governo covarde, antes de o galo cantar pela segunda vez esta semana. Se não, vejamos! O senhor não lembra que os servidores públicos federais em greve fizeram uma manifestação, com “Café da Manhã”, no dia 02, segunda-feira, à entrada da secretaria dirigida pelo senhor? Ao invés de receber os dirigentes, secretário, o senhor os fez esperar horas e horas, disse, ao telefone, a um deles, que não tinha autorização para recebê-los e fez com que a carta com as reivindicações dos professores fosse recebida apenas por uma das suas auxiliares. Ali, secretário, o senhor viu que a greve é pacífica e que não há “excessos nas manifestações”. Não receber as lideranças, portanto, senhor secretário, é o primeiro ato de descortesia, quiçá de covardia, por mim enumerado. Antes de o galo cantar, portanto, de a semana terminar, o senhor cometeu ato mais grave, que considero o segundo ato de covardia da semana: disparou a mensagem 552047, às secretarias de recursos humanos do serviço público, com uma ameaça velada de “corte de ponto”. Sei que o senhor deve ter (ou pelo menos deveria) uma assessoria jurídica. E isso fica muito claro quando, no comunicado, alerta “que na ausência de lei específica para o setor público, deve-se aplicar a legislação concernente à iniciativa privada - Lei 7.783, de 28 de junho de 1989.” Será, senhor secretário, que o assessor jurídico não leu o teor da dita Lei antes de ser emitida a mensagem 552047? Bem, se não o fez, vamos ler o que diz o § 2º do Art. 6º: “É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento.” Secretário, a mensagem saída da Secretaria das Relações de Trabalho, assinada pelo senhor e por Ana Lúcia Amorim de Brito, mais parece uma ameaça a nós, que estamos em greve. De acordo com a própria Lei citada pelo senhor na mensagem “ameaçar cortar o ponto” é um ato ilegal. Ato desses foi consumado ontem por esta secretaria dirigida pelo senhor. Se não, vejamos o que diz oArt. 7º da mesma Lei: “Observadas as condições previstas nesta Lei, a participação em greve suspende o contrato de trabalho, devendo as relações obrigacionais, durante o período, ser regidas pelo acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho.” Se não for um erro grave de interpretação da minha parte, senhor secretário, sem que a Justiça do Trabalho estabeleça a legalidade ou não da greve, é ato arbitrário da sua parte cortar nosso ponto. Tentativas de intimidação como essas em meio a uma greve forte e pacífica não podem ser qualificada de outra forma: uma covardia. Ademais, senhor secretário, o inciso X art 7 da Constituição Federal de 1988 diz que “constitui crime a retenção dolosa de salário”. Caso a secretaria dirigia pelo senhor corte os salários sem que a greve seja considerada ilegal pela Justiça do Trabalho, cometerá ato ilícito passível de pagamento em dobro. Assim sendo, senhor secretário, podemos combinar uma coisa? O senhor finge que apenas eu, professor Gilson Vieira Monteiro, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), estou em greve e corta meu ponto a partir do dia 18 de junho, como é a orientação dada aos setores de recursos humanos das universidades. Deixe, porém, de querer acabar a greve dos professores com intimidações, e não com propostas! Alerto, porém, que estou assumidamente em greve desde o dia 17 de maio de 2012, quando a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) deflagrou a greve. Será menos covarde e mais digno, tanto da sua parte quanto do governo que o senhor representa deixar de fugir da Mesa de Negociações e dizer a nós e ao povo brasileiro que o Governo não tem nenhuma proposta para a Carreira de Professor Federal. Até lá, senhor secretário, não arredaremos o pé porque nossa greve é forte. Não nos curvaremos diante de ameaças covardes como a emitida pela secretaria dirigida pelo senhor. Nossa luta por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada não se abala com uma ameaça de corte de ponto ilegal. Porém, se o senhor tem mesmo esse desejo de punir os professores em greve, anote o meu nome e desconte o meu salário. Talvez, assim, tenha como se justificar para “seus superiores” que o impedem de sentar à Mesa de Negociações novamente. Saudações grevistas!

terça-feira, 3 de julho de 2012



 Salário federal tem diferença de até 580%

Desigualdade no contracheque

Agência o globo
Paulo Celso Pereira
 O Globo - 02/07/2012

Discrepância de salários entre carreiras do funcionalismo federal pode chegar a 580% A divulgação dos salários de todos os servidores públicos  do Executivo federal, que começou nesta semana por força da Lei de Acesso à > Informação, revelou o tamanho da discrepância entre as remunerações de  diferentes áreas. Embora em toda campanha eleitoral candidatos apregoem  nos palanques que ensino e saúde são prioridades do país, isso não  se reflete > na estrutura salarial do funcionalismo federal.

Entre as carreiras de nível superior, ninguém recebe tão pouco  quanto professores e médicos. As diferenças chegam a 580% quando se compara o salário inicial de um professor auxiliar universitário ou de escolas técnicas em início de carreira, com 40 horas semanais, com o  de um advogado da União com mesma carga horária: o primeiro começa com R$ 2,2 mil; o segundo, com R$ 14.970.

 Essa discrepância na folha de pagamento federal é um reflexo do que já se  verifica na iniciativa privada. Esse mesmo advogado chega ao setor público  ganhando 368% a mais que um médico federal de início de carreira, que tem  salário de R$ 3,2 mil. O GLOBO fez levantamento dos salários de todas as  carreiras de nível superior do serviço público federal - do Executivo, do  Legislativo e do Judiciário. Na elite do Executivo estão carreiras como  delegado da Polícia Federal, perito criminal, advogado da União,
 procurador federal, auditor fiscal da Receita e diplomata. Todos têm salários  iniciais a partir de R$ 13 mil e no fim da carreira os vencimentos   passam dos R$ 18 mil, isso sem contar gratificações.

O levantamento dessas discrepâncias salariais dentro da área pública dá continuidade à reportagem de ontem do GLOBO que mostrou que funcionários do setor público ganham, em média e por hora trabalhada, mais que os do setor privado formal em 87,8% das ocupações.  Levantamento feito pelo jornal, a partir do Censo 2010, sinaliza que , em 338 empregos em que foi possível comparar as duas áreas, em 297 o  serviço público pagava melhor. Um professor de universidades ou de  escolas federais, como Cefet e Pedro II (Rio), que trabalhe 40 horas  por semana, recebe salário inicial de R$ 2.215,54 e no fim da carreira, com cursos de doutorado, pode chegar a R$ 5.918,95. Caso tenha dedicação exclusiva à universidade ou à escola federal, seus vencimentos começam em R$ 2.872,85 e podem chegar ao fim da carreira, após doutorado, a R$ 12.225,25.

Situação semelhante é vivida pelo médico federal. De acordo com o Boletim  Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, o médico que > trabalhe 40 horas semanais ingressa na carreira recebendo R$ > 3.225,42 e chega no fim da carreira com R$ 5.650, fora as  gratificações. Em termos salariais, "o
Senado é o céu" Bem próximo deles na rabeira dos salários do funcionalismo > está outra carreira vista como decisiva para o futuro do país, a de  pesquisador. Os tecnologistas e analistas em gestão de pesquisa em Ciência  e Tecnologia recebem salários iniciais de R$ 4.549,63 e no fim da > carreira, com doutorado completo, podem chegar a R$ 14.175,82.

Se a diferença dentro do Executivo já impressiona, quando se comparam  esses salários com os dos outros poderes, ela se torna aterradora. Salários de nível superior na Câmara começam em R$ 11.914,88 e chegam a R$ 17,352,53 para especialistas em técnica legislativa, analistas de informática, consultores, jornalistas e taquígrafos. Mas, como já dizia Darcy Ribeiro, o Senado é o céu. Lá, os concursados de nível médio, como policiais legislativos, ingressam no serviço público recebendo R$ 13.833,64. Já os salários de nível superior,  voltados a analistas legislativos, gestores, médicos e jornalistas, > começam em R$ 18.440,64 e chegam a R$ 20.900,13 no fim da carreira. O topo da > burocracia nacional, no entanto, são os advogados e consultores do  Senado.. O salário inicial dessas carreiras é de R$ 23.826,57 e chega a R$ > 25.003,21. Esses vencimentos batem os da elite do Poder Judiciário, onde  os juízes concursados ingressam com vencimentos de R$ 21.766,15 e, quando  chegam a juiz de tribunal regional, alcançam R$ 24.117,62. Sempre sem> considerar as gratificações, horas extras e outras comissões por títulos
 e/ou funções.




Ainda sobre zumbis, movimento docente e greve na educação federal

                                                                                              Luciano Mendonça de Lima*

                  Quem não é capaz de tomar partido tem de calar-se (Walter Benjamin, 1892-1940).

Os professores e militantes do movimento docente Roberto Leher (UFRJ) e Marcelo Badaró (UFF) escreveram e fizeram circular na internet um artigo intitulado “Docentes contra zumbis” (ver a íntegra em: www.adufcg.org.br). O texto trata da força da greve iniciada nas universidades federais no dia 17/05/2012 e seu impacto na atual configuração política do movimente docente, particularmente o embate envolvendo ANDES-SN X PROIFES. É justamente nesse ponto que gostaria de tecer alguns comentários.
Para começo de conversa, gostaria de deixar claro que concordo, no essencial, com os argumentos dos autores expressos no citado artigo, especialmente os desdobramentos da história do sindicalismo brasileiro no atual movimento docente.
Como o artigo deixa claro, a ANDES (hoje o ANDES-Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) surgiu no contexto mais amplo de luta política e social contra a ditadura militar-civil implantada no Brasil com o golpe de Estado de 1º de abril de 1964. Como  toda ação histórica de relevo, o movimento docente das instituições de ensino superior desde sua gênese trouxe consigo diferentes tendências e concepções, que buscam estabelecer a hegemonia na dinâmica da luta de classes.
No caso da história do movimento classista, houve uma inflexão política entre os anos 1990 e início dos anos 2000, devido às transformações históricas internacionais que afetaram o mundo do trabalho e a experiência dos trabalhadores, com a emergência do “Estado de Mal-Estar Social”: a faceta do capitalismo em seu estágio neoliberal. No caso do Brasil, a grande "novidade" foi a chegada ao poder em 2002 de uma coalizão de forças políticas de "esquerda"- capitaneadas pelo Partido dos Trabalhadores- que se converteu com o tempo ao status quo e a ordem do capital, levando de roldão lideranças e movimentos sociais até tidos e havidos como combativos. 
A universidade e o movimento docente não ficaram imunes a esse processo mais amplo. A tendência a mercantilização de todas as dimensões da vida humana em sociedade se expressou no mundo acadêmico com o projeto atualmente em curso de uma universidade de "resultados", em que cada professor luta por um lugar ao sol da meritocracia e da guerra de todos contra todos, na busca por verbas, vaidade e poder, contribuindo desse modo para o estilhaçamento de qualquer possibilidade de construção coletiva de uma identidade de classe dos trabalhadores da educação superior. O fetiche do “Currículo Lattes” é a expressão maior desse estado de espírito regressivo predominante no mundo universitário brasileiro e alhures.
O chamado PROIFES é a expressão sindical e ideológica dessa espécie de "darwinismo acadêmico", com seu conhecido cortejo de pragmatismo reacionário. Para que todas as implicações desse processo fiquem claras, é necessário ter em mente a história e os métodos políticos que informam a ação deste ente. O grupo que formou o hoje PROIFES (até o ano passado Fórum, hoje Federação de Sindicatos de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior) se originou em uma tendência política que atuava no interior do ANDES. Por não se conformarem com as sucessivas derrotas sofridas em eleições- diga-se de passagem, democraticamente organizadas- ao longo do tempo, eles resolveram se retirar da estrutura legal do sindicato e atuar, por assim dizer, por fora. Como nunca tiveram bases reais sólidas, saíram em busca da chancela oficial do governo Lula da Silva. Não é por acaso que o "ovo da serpente" tenha sido incubado em 2005 nos gabinetes do Ministério da Educação e Cultura, na gestão do então ministro Tarso Genro. Depois deste gesto inaugural eles resolveram dar um ar de “legitimidade”, ao convocarem uma assembleia dos professores das IFES em setembro de 2008, tendo como local a cidade de São Paulo. Esse evento se constituiu em um dos mais grotescos lances da história do movimento sindical no Brasil. O local em que se deu a dita reunião (não por acaso a sede da Central Única dos Trabalhadores, no bairro do Brás) foi cercado por aparato paramilitar constituído de verdadeiros “cães de guarda”, que com sua truculência tradicional impediram que centenas de professores tivessem acesso ao interior do prédio, lembrando os dias mais sombrios da mesma ditadura que no passado recente tanto o PT como a CUT ajudaram a derrotar. Assim, estes professores foram impedidos de expressar livre e democraticamente seus pontos de vista sobre o processo em curso, já que o edital convocava a todos os docentes das IFES, e não apenas aos adeptos daquele ente prestes a ser criado. Porém, o pior ainda estava por vir. Acuados pela manifestação democrática dos docentes que foram autoritariamente barrados, os sindicalistas “chapa branca” protagonizaram um fato patético: em pouco mais de 15 minutos não só criaram a entidade, como também aprovaram os seus estatutos e constituíram sua primeira diretoria. Detalhe: essa dita "assembleia" contou com votação, em sua maior parte, de professores "virtuais" (pois centenas de docentes se fez representar por procurações conseguidas sabe-se lá como) do que de docentes de "carne e osso", procedimento esse que se tornou uma marca registrada das práticas sindicais proifianos. Em outras palavras, mais uma vez a história se repetiu como farsa.
Para se diferenciar das práticas sindicais tidas como “ultrapassadas” do ANDES-SN, os arautos do sindicalismo oficial no interior das IFES armaram mais uma fraude ideológica. Segundo eles, o ANDES-SN perdeu sua legitimidade histórica porque foi paulatinamente se afastando da base da categoria, passando a gravitar em torno de grupelhos ultra-esquerdistas ligados ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Nesse contexto, o PROIFES passou desde então a se apresentar ao público interno e externo como uma entidade democrática e pluralista, ao incorporar métodos de participação direta, como o plebiscito. Contudo, este fenômeno não resiste a qualquer análise crítica, pois aqui "participação" é reduzida quase sempre a consulta por instrumentos eletrônicos. Ou seja, estamos diante de um simulacro de democracia condizente, aliás, com estes tempos de cotidiano administrado, em que a realidade passa a ser encarada como um mero produto de representações e discursos. Aqui estamos diante da ideologia conservadora do pós-moderno, embora essa “novíssima” versão do movimento docente e acadêmico às vezes apareça travestida de marxismo de salão.
Curioso é que ao acusar o ANDES-SN de ser instrumentalizado por partidos políticos sectários, o que não é verdade, o PROIFES se apresenta como paladino da moralidade e dos bons costumes, como se não tivesse nada a ver com essa história. Ora, está provado hoje que esta entidade é o braço sindical do governo no movimento docente capitaneado pelo Partido dos Trabalhadores, o Partido Comunista do Brasil e seus satélites stalinistas, ou seja, a mais pura tradução e o exemplo concreto da esquerda brasileira que se "endireitou". Não é por acaso que essa gente tem defendido com “unhas e dentes” propostas dos tecnocratas de Brasília para o ensino superior, como o REUNI, PROUNI e PRONATEC, outros tantos “pacotes” educacionais gestados no Banco Mundial. Por se disporem a fazer esse “serviço sujo”, volta e meia recebem migalhas materiais do bolo das elites brasileiras que se locupletam com a mercantilização do saber. A esse respeito, é sintomático que um dos principais a dirigentes nacionais do PROIFES, o professor Gil Vicente, seja alvo de investigação em função de suspeita do uso indevido de recursos proveniente do Ministério do Planejamento. Essa promiscuidade entre interesses privados e públicos é um traço caracterizador do que Roberto Leher e Marcelo Badaró denominam em seu texto de “sindicalismo de Estado na vida universitária”.
Apesar do apoio dos governantes/gestores de  ocasião, a recorrentes tentativas de desqualificação do ANDES-SN como representante histórico dos professores, a busca infrutífera de suspensão do registro sindical do ANDES-SN, despolitização da categoria, dentre outras práticas nefastas, a estratégia adotada pelos proifianos parece não ter surtido os resultado que imaginavam inicialmente. Isso porque atualmente este ente dirige apenas sete sindicatos docentes nas IFES (ADUFG, ADUFMS, ADUFRGS, ADUFScar, APUB, ADURN e ADUFC), em um universo de mais de meia centúria. Talvez seja por isso que eles tenham mudado de tática recentemente. Prova disso é que nas duas eleições do ANDES-SN, realizadas em 2010 e 2012, se aliaram com alguns "inocentes úteis" para tentar formar chapas de oposição. Mais uma vez a falta de legitimidade dessa gente ficou comprovada, pois nos referidos pleitos os pedidos de registro foram indeferidos, isso pela simples razão de que nas duas ocasiões não conseguirem juntar 83 nomes para compor as respectivas composições sindicais. A título de exemplo, convém lembrar que enquanto a diretoria do ANDES-SN é constituída de 83 diretores distribuídos nacionalmente, a diretoria executiva do PROIFES é formada de, no máximo, 13 membros. Estes formam uma verdadeira casta sindical de burocratas encastelados em Brasília e seus arredores, vivendo parasitariamente e à revelia do conjunto dos professores.     
O que tudo isso tem a ver com a greve dos trabalhadores da educação em curso no Brasil, em especial os professores das federais? Eu diria que tudo.  Ao expor as fraturas do projeto de expansão sem qualidade, com uma pauta que combina melhores condições de trabalho, defesa de uma carreira decente e a universidade pública como um patrimônio estratégico da sociedade brasileira, o ANDES-SN tem conseguido uma adesão expressiva das suas bases e o apoio de segmentos importantes da população, o que tem obrigado o governo a ensaiar um efetivo processo de negociação com a categoria em greve. Esse processo teve desdobramentos na área de atuação do PROIFES, cujas direções, literalmente, têm sido atropeladas pelas suas bases, a exemplo do que ocorreu na ADUFG, ADUFMS, ADUFScar, ADUFC e APUB.   
 Não sabemos ao certo o desfecho desta greve, principalmente em termos do atendimento de nossa pauta de reivindicação. Quanto mais mobilizados estivermos, maiores as chances de conquistas, nesta que é uma das maiores greves de nossa história. Uma coisa, porém, é quase certa: nunca mais a história do movimento docente será a mesma, com o enfraquecimento do neopelegismo e o conseqüente fortalecimento do protagonismo dos docentes e seu principal instrumento de luta: O ANDES-SN.  

           *Professor da Unidade Acadêmica de História e Membro do CLG/ADUFCG.
                                        


Bom dia,
Após ler a matéria do Globo, fui buscar o salário de 
professores em outros países, além de ser maior, o 
poder de compra é bem melhor. Aqui, além mar, carros 
são caros e a especulação imobiliária rola solta em 
qualquer cidade brasileira.
Tem mais, um dos argumentos do governo é que não tem 
recursos, e que um aumento comprometeria programas 
sociais (argumento utilizado o ano passado). Sobre os 
programas sociais, é obvio, que somos todos a favor, e 
que se esse argumento for válido, quero meu recibo de 
doação compulsória.
Quanto ao argumento de não ter recurso:
1 - Dados do IPEA mostram que para cada real investido 
na educação, há 
um acréscimo de R$ 1,85 no PIB, mas o governo prefere 
aplicar em outras áreas:
2 - Que tal isentar professores do IRPF ou do INSS? 
Claro que não. Tá na hora do governo Dilma assumir a 
educação como prioridade, como prometido em cadeia 
pública em fevereiro de 2011.
Abraço a todos
Guillermo

Como informa o CNG.
Marinalva Oliveira ressaltou que, nesta segunda-feira, 02/07, venceu mais uma data apontada pelo próprio Sérgio Mendonça, na única reunião realizada com os docentes (12/6) desde o início da greve, em 17 de maio, quando chegou a pedir uma trégua aos grevistas, dizendo que em 20 dias apresentaria uma proposta e 
chegaríamos ao término das negociações sobre a reestruturação da carreira docente. A presidente do ANDES-SN lembrou ainda que os docentes sempre estiveram prontos a negociar a proposta apresentada e protocolada junto aos ministérios do Planejamento e da Educação no início de 2011. Hoje, mais uma vez, o governo comprova que não tem mais credibilidade junto à categoria e demonstra total desrespeito à sociedade e aos trabalhadores, pois não é capaz de cumprir os prazos que ele mesmo estabelece, mostrando também a sua indisponibilidade em negociar.