terça-feira, 3 de julho de 2012



 Salário federal tem diferença de até 580%

Desigualdade no contracheque

Agência o globo
Paulo Celso Pereira
 O Globo - 02/07/2012

Discrepância de salários entre carreiras do funcionalismo federal pode chegar a 580% A divulgação dos salários de todos os servidores públicos  do Executivo federal, que começou nesta semana por força da Lei de Acesso à > Informação, revelou o tamanho da discrepância entre as remunerações de  diferentes áreas. Embora em toda campanha eleitoral candidatos apregoem  nos palanques que ensino e saúde são prioridades do país, isso não  se reflete > na estrutura salarial do funcionalismo federal.

Entre as carreiras de nível superior, ninguém recebe tão pouco  quanto professores e médicos. As diferenças chegam a 580% quando se compara o salário inicial de um professor auxiliar universitário ou de escolas técnicas em início de carreira, com 40 horas semanais, com o  de um advogado da União com mesma carga horária: o primeiro começa com R$ 2,2 mil; o segundo, com R$ 14.970.

 Essa discrepância na folha de pagamento federal é um reflexo do que já se  verifica na iniciativa privada. Esse mesmo advogado chega ao setor público  ganhando 368% a mais que um médico federal de início de carreira, que tem  salário de R$ 3,2 mil. O GLOBO fez levantamento dos salários de todas as  carreiras de nível superior do serviço público federal - do Executivo, do  Legislativo e do Judiciário. Na elite do Executivo estão carreiras como  delegado da Polícia Federal, perito criminal, advogado da União,
 procurador federal, auditor fiscal da Receita e diplomata. Todos têm salários  iniciais a partir de R$ 13 mil e no fim da carreira os vencimentos   passam dos R$ 18 mil, isso sem contar gratificações.

O levantamento dessas discrepâncias salariais dentro da área pública dá continuidade à reportagem de ontem do GLOBO que mostrou que funcionários do setor público ganham, em média e por hora trabalhada, mais que os do setor privado formal em 87,8% das ocupações.  Levantamento feito pelo jornal, a partir do Censo 2010, sinaliza que , em 338 empregos em que foi possível comparar as duas áreas, em 297 o  serviço público pagava melhor. Um professor de universidades ou de  escolas federais, como Cefet e Pedro II (Rio), que trabalhe 40 horas  por semana, recebe salário inicial de R$ 2.215,54 e no fim da carreira, com cursos de doutorado, pode chegar a R$ 5.918,95. Caso tenha dedicação exclusiva à universidade ou à escola federal, seus vencimentos começam em R$ 2.872,85 e podem chegar ao fim da carreira, após doutorado, a R$ 12.225,25.

Situação semelhante é vivida pelo médico federal. De acordo com o Boletim  Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, o médico que > trabalhe 40 horas semanais ingressa na carreira recebendo R$ > 3.225,42 e chega no fim da carreira com R$ 5.650, fora as  gratificações. Em termos salariais, "o
Senado é o céu" Bem próximo deles na rabeira dos salários do funcionalismo > está outra carreira vista como decisiva para o futuro do país, a de  pesquisador. Os tecnologistas e analistas em gestão de pesquisa em Ciência  e Tecnologia recebem salários iniciais de R$ 4.549,63 e no fim da > carreira, com doutorado completo, podem chegar a R$ 14.175,82.

Se a diferença dentro do Executivo já impressiona, quando se comparam  esses salários com os dos outros poderes, ela se torna aterradora. Salários de nível superior na Câmara começam em R$ 11.914,88 e chegam a R$ 17,352,53 para especialistas em técnica legislativa, analistas de informática, consultores, jornalistas e taquígrafos. Mas, como já dizia Darcy Ribeiro, o Senado é o céu. Lá, os concursados de nível médio, como policiais legislativos, ingressam no serviço público recebendo R$ 13.833,64. Já os salários de nível superior,  voltados a analistas legislativos, gestores, médicos e jornalistas, > começam em R$ 18.440,64 e chegam a R$ 20.900,13 no fim da carreira. O topo da > burocracia nacional, no entanto, são os advogados e consultores do  Senado.. O salário inicial dessas carreiras é de R$ 23.826,57 e chega a R$ > 25.003,21. Esses vencimentos batem os da elite do Poder Judiciário, onde  os juízes concursados ingressam com vencimentos de R$ 21.766,15 e, quando  chegam a juiz de tribunal regional, alcançam R$ 24.117,62. Sempre sem> considerar as gratificações, horas extras e outras comissões por títulos
 e/ou funções.



Nenhum comentário:

Postar um comentário